Excesso de juventude resulta em confusão

Ernesto Barros
ebarros@jc.com.br
enviado especial
Ainda no sábado, a Mostra competitiva recebeu a produção independente americana Yelling to the sky (Gritando para o céu, em tradução livre), que traz a jovem Zoé Kravitz (filha do músico Lenny Kravitz e da atriz Lisa Bonet) como protagonista. Na verdade, o filme todo marca o início de muita gente. Inclusive da diretora Victoria Mahoney, que tem formação de atriz pelo Actor’s Studio e estreia como diretora com esta história autobiográfica. A princípio, o filme lembra a primeira leva do cinema negro realizado no comecinho dos anos 1990, quando Spike Lee e John Singleton fizeram Faça a coisa certa e Os donos da rua, respectivamente. Infelizmente, a comparação para por aqui porque Yelling to the sky não traz muita novidade ao universo de dramas sobre famílias negras disfuncionais, como o último Preciosa que, inclusive, traz a mesma atriz, a gordinha Gabourey Sidibé.
Com uma direção de fotografia bastante estilizada e muita câmera na mão, Victoria Mahoney tenta apreender a realidade que viveu quando era adolescente no bairro do Queens, em Nova Iorque. A encenação, apesar de conhecida, não é problema. Mas o desenho do personagem vivido por Zoé Kravitz, a adolescente Sweetness, é marcado pela incoerência. A princípio quase aluna mosca morta, apenas observando o pai branco alcoólatra e violento e a mãe perturbada mentalmente, ela de repente vira esperta e começa a vender drogas e a bater em todo mundo.
Como se não bastasse isso, a terceira parte investe na recuperação da filha pelo pai, quando a coisa ainda fica ainda mais sem sentido. Apesar disso, as interpretações são boas. O australiano John Clarke, que faz o pai, e Antonique Smith, a outra filha dele, estão superbem. Mas o filme tem problemas e levou algumas pedradas merecidas da crítica.


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