.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Veteranos põem a mão no 3D


Wim Wenders fez filme deslumbrante sobre Pina Bausch, Werner Herzog levou seu Cave of forgotten dreams

Ernesto Barros
ebarros@jc.com.br
enviado especial


Berlim – A apresentação de três filmes em 3D é uma data que vai ficar na história da Berlinale. O 61º Festival Internacional de Cinema de Berlim apostou todas as fichas este ano: nos novos cineastas - e nos novos formatos, afinal o 3D é novo de novo. Mas foram os velhos cineastas – ou
seria melhor dizer veteranos? - que dominaram o dia de ontem. Berlim amanheceu bonita, com um pouquinho de neve e uma temperatura em torno de 10º.

No Palácio do Festival, na Potsdamer Platz, dois remanescentes do novo cinema alemão, movimento dos anos 1970, foram os responsáveis pelos melhores momentos do festival até agora. Wim Wenders mostrou em primeiríssima mão seu deslumbrante documentário sobre a coreógrafa Pina Bausch, com Pina. E Werner Herzog levou o seu Cave of forgotten dreams, um documentário produzido pela canal de TV History Channel. Ambos os filmes foram exibidos fora da competição, ou seja, sem direito a prêmios.

Na competição, o único representante foi a animação francesa Les contes de la nuit, de Michel Ocelot. Velho conhecido do público brasileiro pelos admiráveis Kirikou e a feiticeira e As aventuras de Azur e Asmar. Neste seu novo trabalho, Ocelot foi prejudicado porque seu estilo de animação perde no 3D. Como seus desenhos dependem do jogo de luz e sombra, as silhuetas não
adquirem volume e ficam chapadas. E isso atrapalha a fruição das seis histórias que ele desenvolve aqui, a partir do encontro entre um casal de adolescentes e um mágico do cinema. Das seis histórias, todas passadas em lugares exóticos, como o Caribe, o Tibete e a África, apenas uma não funciona muito bem.

Com Wim Wenders e seu companheiro de geração Werner Herzog, cineastas acima de qualquer suspeita, espera-se agora uma nova era do 3D. Pelo menos alguma coisa muito interessante foi vista em Pina e Cave of the Forgotten Dreams. Em Pina principalmente, porque o trabalho técnico proposto por Wenders foi bem elaborado e demandou um tempo bom de realização. Decerto que a memória e o trabalho da coreógrafa, que muita gente conhece depois de sua
participação em Fale com ela, de Pedro Almodóvar, por si só já garante um belo filme. Mas Wenders se esforça muito para usar da criatividade na maneira de captar as imagens no processo estereoscópico. Em muitos momentos, ele consegue vislumbrar o que a técnica pode oferecer. Como documentário, ele se fixa nas coreografias de Pina Bausch - como Café Müller e A sagraçao da primavera, por exemplo, e entrevistas com os bailarinos que conviveram com a coreógrafa, que morreu em 2009.

Assim como Wenders, Herzog utiliza o 3D com muita habilidade no documentário Cave of forgotten dreams, que mostra pela primeira vez as imagens rupestres da caverna de Chauvet, que permaneceu fechada por mais de 20 milhões de anos e só foi aberta em 1994. No seu peculiar estilo de documentarista, Herzog desce às profundezas da caverna paleolítica para nos encantar com as inscrições que os neandertais deixaram nas suas paredes. Com um impressionante uso de luzes dentro da caverna, Herzog faz um relato fascinante sobre as pinturas dos animais, como cavalos, principalmente (alguns em movimento, já prenunciando o cinema). Com os dois cineastas em forma, não só o 3D foi valorizado, mas a estética do cinema em geral.

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial