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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

John Wayne é o grande espelho.


Ator Jeff Bridges declara admiração pelo ator mitológico que fez o primeiro Bravura indômita. Irmãos Coen dizem que filme não é um remake

Ernesto Barros
ebarros@jc.com.br
Enviado especial


BERLIM – Os irmãos Joel e Ethan Coen e os atores Jeff Bridges, Josh Brolin e Hailee Steinfeld participaram da coletiva de imprensa de Bravura indômita. Chegaram muitos minutos depois de terminada a sessão para a imprensa. A demora para aparecerem motivou até alguns assovios, como se estivéssemos em algum tipo de show e os artistas demorassem a aparecer. Apesar de grosseiro, o engraçadinho que ensaiou o protesto não estava lá tão errado assim. Afinal, a coletiva de imprensa foi um show, isso significando outros
significados da palavra, com o sentido negativo incluso.

Joel disse logo que fazer o filme foi um desafio. Tanto para ele quanto para Ethan, o filme deve ser visto como uma adaptação da novela de Charles Portis, e não como um remake do filme de Henry Hathaway. “Não nos importamos com a versão prévia do livro, apesar de eu ter visto quando era garoto”, explicou Joel. Ele disse, ainda, que o intento deles era conseguir realizar “um filme simples e acessível a todo o público”. Apesar disso, estranhamente eles não se envolveram muito com as perguntas sobre se o filme significaria um revival do gênero.

Mas, tanto os cineastas quanto Jeff Bridges não se cansaram em elogiar o ator John Wayne, que fez o primeiro US Marshall Rooster Cogburn. Para Ethan, John Wayne foi uma figura extraordinária. “Ele era tão icônico que poderia estar no Monte Rushmore”, disse referindo-se ao lugar onde estão esculpidas as efígies dos presidentes americanos George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt. Por outro, Joel disse uma verdade: “Tenho um filho de 16 e ele não sabia quem era John Wayne”, confessou o diretor.

Apesar de não tê-lo conhecido, Jeff Bridges disse que “amava John Wayne”. “Sempre gostei dos filmes dele, principalmente de Rio vermelho. E foi ótimo voltar a trabalhar com os Coen novamente, eles são incríveis”. Bem à vontade, o ator, que concorre novamente ao Oscar de melhor ator, outra vez como um bêbado, falou que temia que ninguém entendesse os diálogos, já que ele falava de uma maneira incompreensível. “Acho que o filme bem poderia ter legendas para ser entendido melhor”, disse para a alegria da plateia de jornalistas que lotou a sala de imprensa do Hotel Hyatt Berlin, na Potsdämer Platz, quase em frente ao Palácio do Festival.

Josh Brolin, que posou de galã a maior parte do tempo e ainda deu uma “cantada” numa jornalista brasileira (que fez por merecer, diga-se), falou que muita gente não lembrava mais da história do filme, por isso foi interessante trabalhar novamente como os Coen (ele foi um dos principais personagens de Onde os fracos não têm vez).

Apesar da presença dos diretores e irmãos e dos atores já veteranos, o rebuliço dos jornalistas era mesmo com a adolescente Haille Steinfeld, 15 anos, que parece mais jovem que a personagem do filme. Perguntada como foi trabalhar com tantos homens, ela disse que a mãe sempre estava com ela nas filmagens. “Todos eles foram figuras de pai para mim”, confessou.

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