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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tudo pronto para a 61ª Berlinale

Festival de Berlim começa quinta-feira com estreia internacional do filme
Bravura indômita, de Joel e Ethan Coen

Ernesto Barros
ebarros@jc.com.br


Desde as 10h da manhã de ontem que os alemães fazem fila no Palácio do Festival para comprar ingressos e garantir as melhores sessões nas diversasmostras da 61ª Berlinale – nome oficial do Festival Internacional de Cinema de Berlim, que começa nesta quinta-feira. Durante 10 dias, os filmes mais transgressores e experimentais da temporada vão estar disputando a atenção de cerca de 300 mil espectadores, entre eles quatro mil jornalistas, de 80 países espalhados por todos os continentes do globo. A cerimônia de abertura caberá ao western Bravura indômita, de Joel e Ethan Coen, que tem estreia marcada para esta sexta-feira em todo o País. Pela quinta vez, a reportagem do Jornal do Commercio irá acompanhar as principais sessões do Festival, novamente em parceria com o Centro Cultural Brasil-Alemanha.

A Mostra Competitiva vem com 22 longas-metragens, dos quais 16 disputam os famosos Ursos de Ouro e de Prata, que serão entregues na cerimônia de encerramento, na noite do dia 19. Entre os cineastas que estão concorrendo, um dos destaques é a volta do alemão Wim Wenders com o documentário Pina, sobre a coreógrafa Pina Bausch, que terá exibição em 3D. Werner Herzog, seu companheiro de geração e que presidiu a edição do ano passado, também vai mostrar um documentário em 3D, o badalado Cave of the forgotten dreams, que será exibido fora da competição. O terceiro filme em 3D é a animação francesa Les contes de la nuit, de Michel Ocelot.

A competição ainda trará The Turin house, do húngaro Béla Tarr, The forgiveness of blood, do americano Jonathan Marston, The future, da americana Miranda July, e Coriolanus, que marca a estreia do ator inglês Ralph Fiennes com diretor. Para marcar o posicionamento político do festival, o diretor Dieter Kosslick convidou o cineasta iraniano Jafar Panahi para participar do júri da Mostra Competitiva. Ele será o tema da mostra Cineasta do Mundo, com vários filmes seus apresentados na programação oficial, como as sessões especiais de Offside, no Palácio do Festival, uma delas no próximo dia 11, quando se comemora o aniversário da revolução iraniana.

Panahi foi condenado a seis anos de prisão e proibido de filmar pelos próximos 20 anos sob a acusação de atentar com o estado iraniano. A atriz ítalo-americana Isabella Rossellini será a presidente do júri internacional, que além de Jafar Panahi contará com a produtora australiana Jan Chapman, a atriz alemã Nina Hoss, a super-estrela de Bollywood Aamir Khan, o cineasta canadense Guy Maddin e a figurinista Sandy Powell.

Pelo terceiro ano consecutivo, o cinema brasileiro não terá representante na Mostra Competitiva. No entanto, a continuação de Tropa de elite, que ganhou o Urso de Ouro em 2008, é um dos filmes principais da Mostra Panorama. Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro vai estar entre os filmes que vão balançar as estruturas da Berlinale. Para o diretor da mostra, Wieland Speck, “José Padilha seleciona o que ele quer do repertório do gênero, mas ao mesmo tempo conta uma história que é muito mais crítica e visionária que os filmes feitos industrialmente jamais poderiam ser”.

Como já virou praxe na Panorama, o cinema gay vai ganhar destaque, com os franceses Romeos, de Sabine Bernardi, e Tomboy, de Céline Sciamma. O Brasil ainda vai estar presente com Os residentes, do mineiro Tiago da Mata Machado, que concorre na mostra Forum. Por enquanto, os outros filmes brasileiros ainda estão em fase de gestação. No Mercado de Coprodução 2011, o curitibano Marcos Jorge aparece com 2 Kidnappings, já no Mercado Projeto de Talento, surgem Rafael Lessa, com Greicekelly, e Aleteia Selonk, com Woman of the father.

Como um festival desse porte não se faz apenas com novos filmes, as sessões de homenagens e retrospectivas da Berlinale estão entre os melhores programas desta edição. Só a retrospectiva em homenagem ao cineasta sueco Ingmar Bergman já seria o bastante para o cinéfilo mais exigente. Serão exibidos mais de 20 filmes dirigidos por Bergman, além de documentários onde
ele e sua obra são os temas.

Entre os longa-metragens que serão mostrados em Berlim – em cópias estalando de nova –, encontram-se clássicos como Morangos silvestres, O sétimo selo, Mônika e o desejo, Persona – Quando as mulheres pecam, A hora do lobo, Da vida das marionetes e Fanny e Alexander.

Entre as homenagens, uma das sessões mais disputadas será a exibição em digital de Motorista de táxi, de Martin Scorsese, que vai contar com a presença do cineasta Paul Schrader, roteirista do filme.

Outros homenageados são os alemães Armin Mueller-Stahl (ator), e Bernd Eichinger (produtor e realizador), recentemente falecido. Uma mostra sobre culinária e cinema é outro chamariz da 61ª Berlinale.

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