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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

60ª edição da Berlinale

KLEBER MENDONÇA FILHO
cinemascopio@gmail.com
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Com o aviso amigo da assessoria de imprensa de que sapatos resistentes e roupas quentes devem ser trazidos para Berlim, começa hoje a 60a edição da Berlinale – Festival Internacional de Cinema de Berlim. A previsão para toda a primeira semana é de temperaturas abaixo de zero com neve, mas também espera-se a primeira leva 2010 de filmes que irão mexer com o mundo do cinema. Dos novos trabalhos de mestres estabelecidos como Roman Polanski e Martin Scorsese à versão restaurada do clássico alemão Metropolis, de Fritz Lang, e novidades de filmografias de todo o mundo, Berlim promete uma seleção abrangente do cinema feito hoje.

A produção brasileira participa com o filme inédito Bróder (SP), de Jefferson D, e o já lançado nos cinemas Besouro, aventura brasileira de artes marciais realizada por João Daniel Tikhomikoff. Ambos foram selecionados para a seção Panorama, paralela de prestígio onde, há três anos, Deserto Feliz, de Paulo Caldas, estreou.

Bróder tem no elenco Caio Blat, Jonathan Haagensen, Silvio Guindane, Cássia Kiss e Ailton Graça. A sinopse indica um encontro de amigos na periferia, onde lealdades são testadas à base da realidade violenta do lugar.

O Brasil participa ainda com a versão nacional da série “Fucking Different...”, que já há alguns anos tem lugar cativo na programação da Panorama, mostra que não esconde sua militância pelo cinema gay. Fucking Different São Paulo (a série já teve Nova York, Berlim e Telaviv em anos anteriores) traz uma série de filmes realizados na capital paulista por realizadores como Joana Galvão, Monica Palazzo, Max Julien, Ricky Mastro, René Guerra e Silvia Lourenço.

Amanhã, será exibido em sessão especial o clássico Metropolis (1927), restaurado recentemente a partir de uma copia dada como perdida encontrada na cinemateca de Buenos Aires, há dois anos. O filme, uma das maiores super produções alemãs do período pré-nazista, e um dos filmes mais influentes da história do cinema, terá sessões acompanhadas por orquestra na clássica sala Friedrichstadtpalast, e ainda uma sessão a céu aberto para o público no Portão de Brandemburgo, amanhã à noite. Com previsão de dez graus abaixo de zero para esta sexta, resta saber se esta sessão será mantida.

Na competição e seleção oficial, Berlim esse ano preparou um conjunto de filmes que inspira mais curiosidade do que certezas. Martin Scorsese traz para a cidade A Ilha do Medo (Shutter Island), sua quarta colaboração com Leonardo DiCaprio (Gangues de Nova York, O Aviador, Os Infiltrados). Trata-se de um thriller sobre agente do FBI que irá investigar crime num manicômio localizado na sombria ilha titular. Passa fora de competição.

Outro destaque fora de competição é o primeiro filme do artista inglês Banksy, cujo trabalho tornou-se conhecido por ter como principal conceito de galeria a rua, seja em Londres, nas paredes da Palestina ou na Nova Orleans pós-furacão Katrina.

Roman Polanski, que enfrenta momento difícil da sua vida pessoal, em prisão domiciliar na Suíça por causa de pendência histórica com a justiça americana por acusação de ter mantido relações sexuais com garota menor de idade nos anos 70, não estará em Berlim para ver a estréia do seu novo filme. The Ghost Writer, com Ewan McGregor, Kim Cattral e Pierce Brosnan, sobre escritor contratado para escrever as memórias de um ex-primeiro ministro britânico. O filme está em competição.

O já admirado diretor americano Noah Baumbach (A Lula e a Baleia) apresenta Greenberg, juntando-se a dois outros realizadores que chamam a atenção no circuito internacional. O dinamarquês Thomas Vinterberg (Festa de Família) mostra Submarino e o inglês Michael Winterbottom (ganhador do Urso de Ouro em Berlim 2002 por Nesse Mundo) concorre com The Killer Inside Me.

O filme de abertura hoje é o chinês Tuan Yuan, de Wang Quan'an, outro ganhador do Urso de Ouro (em 2007, por O Casamento de Tuya), e o festival guarda para o seu encerramento o japonês Otouto, de Yoji Yamada.

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