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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Berlinale que não está sob os holofotes

KLEBER MENDONÇA FILHO
cinemascopio@gmail.com

A 59a edição da Berlinale, Festival Internacional de Cinema de Berlim, encerrou no sábado, dia 14 de fevereiro, sob uma frente fria que trouxe neve para a fascinante cidade de Berlim. Para o visitante credenciado (20 mil credenciados de 136 países, segundo a organização), e no meu caso, como jornalista e crítico, os 383 filmes exibidos em 1238 sessões frequentemente se transformam numa série de escolhas difíceis que precisam ser feitas, especialmente pelo fato de os spotlights estarem quase sempre na mostra competitiva que leva ao Urso de Ouro.

Nesta terceira experiência profissional na Berlinale, me chamou a atenção como o festival revelou-se diferente pelo fato de eu finalmente me livrar algumas vezes da competição em direção à mostra mais alternativa Forum, ou à mostra fora de competição Berlinale Special, esse ano dedicada a novos filmes de velhos mestres. Foi lá que algumas belas descobertas foram feitas, como o filme belga Double Take (Forum), de Johannes Grimonprez, ou Peculiaridades de uma Rapariga Loira (Berlinale Special), de Manoel de Oliveira.

Numa perspectiva de cinema alemão, o Festival abriu com The International, que o cineasta alemão Tom Tykwer dirigiu com equipe alemã para a Sony Columbia Pictures, não muito bem recebido, mas cujo tema (bancos internacionais como fonte de problemas para o mundo) mostrou-se perfeitamente em sintonia com o clima atual da economia. Alle Anderen, da jovem realizadora Maren Ade, foi bem recebido em Berlim, e ficou com o Urso de Prata (dividido com o uruguaio Gigante).

Essa redescoberta da Berlinale me mostrou um festival enorme, frequentado por cerca de 270 mil espectadores e que movimenta a cidade como um todo, em dezenas de salas com perfeitas condições técnicas de som e imagem. O que mais impressiona é que eu não fui a uma única sessão que não estivesse lotada, inclusive nas sessões da Retrospecktive 70mm - Bigger Than Life, que atraiu admiradores saudosos de inúmeros países para ver filmes projetados no clássico formato 70mm no Cine Star 8 (enorme sala de multiplex no Sony Center, em Potsdamer Platz) e no maravilhoso Kino International (Karl Marx Ale), sala de design comunista na Berlim Oriental onde os principais filmes do bloco soviético estreavam nos anos 60, 70 e 80.

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