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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Rage ficaria melhor na parede de um bar


Curioso como Mammoth é um fracasso dentro de normas convencionais, mas vejam o caso de Rage, filme de Sally Potter, brodagem de Tilda Swinton em Orlando (nossa presidente do júri agora, em Berlim) e que aparece com um curioso descansa tela que está, UAU!, na competição, seleção pouco razoável esta. Será difícil aparecer um outro objeto como esse até o próximo dia 15. De qualquer forma, se é para provocar, faça com estilo, imagino. É também aquele tipo de filme cuja coletiva soa bem mais interessante do que o mesmo.

Exibido em vídeo digital, Rage é uma produção inglesa composta por "talking torsos" de personagens fictícios interpretados por atores, alguns astros e estrelas (Judi Dench uma fashion critic, Steve Buscemi faz Steve Buscemi que se diz fotógrafo, Jude Law um travesti que atende pelo nome Onyx, talvez o aspecto mais rentável para a galera cult). Eles falam uma infinidade de lugares comuns sobre celebridade, fama, moda, imagens, ego e tudo mais, e o fundo é multi-colorido (verde, azul, vermelho, amarelo, laranja, cian) que, felizmente, fica mudando.

A sensação de estarmos vendo alguma fita bruta roubada do E! Entertainment Television (sem música tecno e montagem picada). Sensação persiste durante a enlouquecedora duração (99 minutos), e o filme é sádico o suficiente para ser dividido em capítulos que inevitavelmente arrancam aplausos ao chegar ao anuncio do último. Há uma idéia de que o realizador que nunca é visto (atrás da câmera) é uma criança com o poder de fazer tanta gente louca se abrir na frente da sua lente.

Na melhor das hipóteses, Rage ficaria melhor na parede de um bar, onde o matraqueado seria substituído por música ambiente, a maior fonte de interesse o fundo que troca de cor lindamente. So fucking Boring.

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KLEBER MENDONÇA FILHO
cinemascopio@gmail.com

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