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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Kleber Mendonça Filho no Berlinale 2009


A "Berlinale", ou o Festival Internacional de Cinema da Berlim, começa hoje à noite, com a estréia mundial do novo filme do cineasta alemão Tom Tykwer (Corra Lola Corra, O Perfume), The International, exibido fora de competição. Até o próximo dia 15, o cinema mundial ganha uma das suas principais vitrines nessa feira gigante de imagens que, em diferentes mostras, focos e seções, traça perfil da produção cinematográfica atual em suas tendências e formatos. Berlim acontece na parte final do inverno gelado na Europa e três meses antes de Cannes mostrar a sua própria versão do cinema no auge da primavera. Pelo terceiro ano, o JC traz cobertura exclusiva de Berlim, com apoio do Consulado Alemão no Recife e Centro Cultural Brasil Alemanha.

Um ano depois que Berlim deu o seu Urso de Ouro controvertido ao brasileiro José Padilha por Tropa de Elite (e dez anos antes havia sido Walter Salles, por Central do Brasil), a atriz britânica Tilda Swinton assume a presidência do júri. Como geralmente ocorre no mundo dos grandes festivais, há uma cadeira musical nos bastidores, pois Swinton esteve ano passado em Berlim como atriz com o filme (pouco visto desde então) Julia, de Erick Zoncka. Além disso, Swinton é veterana em Berlim desde a época de Derek Jarman, atriz que transita entre o cinema europeu e o Hollywoodiano, ganhou inclusive o Oscar ano passado de coadjuvante pelo filme Clayton.

Costa Gavras, que o Cine PE anunciou há pouco como seu convidado especial na edição esse ano, foi o presidente do júri ano passado em Berlim, e volta com a gentileza de exibir seu filme novo na noite de encerramento, Éden a L'Ouest. O filme estréia na França na próxima semana, e foi também anunciado como atração de abertura do festival pernambucano.

O próprio Padilha também está de volta, desta vez com o documentário Garapa, na seção Panorama, que também selecionou o thriller brasileiro feito com R$ 80 mil, Vingança, de Paulo Pons, lançado no último Festival de Gramado. Outra presença brasileira é o cineasta pernambucano Tião, que chega a Berlim domingo depois de mostrar seu filme Muro no festival de Clermont Ferrand, na França, o maior do mundo para o formato curta metragem. Em Berlin, Tião foi selecionado para o Talent Campus, onde irá participar de encontros e palestras para jovens artistas de todo o mundo.

Esse ano, a competição oficial anuncia uma série de filmes que , como sempre, mistura nomes de peso com referência autoral - Stephen Frears exibe Cheri, com Michelle Pfeiffer, com quem trabalhou há 20 anos em Ligações Perigosas, François Ozon (Swimming Pool, Sob a Areia) mostra Ricky, o sueco Lukas Moodysson (Amigas de Colégio) vem com Mammoth, com Gael Garcia Bernal - e nomes menos conhecidos pinçados do cinema mundial. Manoel de Oliveira, aos 100 anos, apresenta seu novo, Singularidades de uma Rapariga Loura (Portugal/França), outra sessão obrigatória.

Observando a programação, não há esse ano o carnaval de grandes produções hollywoodianas que tem feito de Berlim e Cannes plataformas de lançamento ruidosas, como a pré mundial de 300, há dois anos. Desta vez, nada mais do que o segundo filme da franquia ressuscitada de A Pantera Cor de Rosa, com Steve Martin, o que não deixa de decepcionar, de certa forma.

Mas isso nas mostras mais tradicionais, pois Berlim também acontece nas paralelas Panorama, Fórum e Berlinale Special. Embora o tema mostre-se claro num festival desse porte, a Berlinale 2009 não deixa de sublinhar o caráter multi-disciplinar do áudio-visual hoje, e que está a mostra nas dezenas de salas de cinema da fantástica cidade alemã.

Mostras paralelas como The Physicality of Film and the Skin of the Musicians (A Fisicalidade da Película e a Pele dos Músicos), que há quatro anos investiga as relações cada vez mais abertas entre artistas e formatos de realização, deverá ocupar não apenas cinemas, mas galerias da seção Forum, que irá exibir o curta Triangulum, dos brasileiros Gustavo Jahn, Melissa Dullius, e do francês Michel Balagué. O filme pode ser visto como perfeito representante desse aspecto multi-disciplinar, mais sobre o mesmo ao longo da cobertura.

A Berlinale promove também uma retrospectiva espetacular em direção ao cinema do passado no que ele já teve de mais grandioso. 70mm Bigger Than Life (70mm Maior Que a Vida) já é vista como mostra referência no sentido de resgatar o senso de espetáculo que os grandes clássicos do cinema americano, europeu e soviético tinham no sentido de oferecer uma imagem que só a sala de cinema seria capaz de garantir, uma certeza e tanto numa época como a de hoje, onde a tecnologia digital oferece filmes no ônibus, iPod e celular.

Ao longo dos próximos 11 dias, cópias novas encomendadas pela Berlinale de 2001 – Uma Odisséia No Espaço, de Kubrick, Cleópatra, de Joseph L. Mankiewicz, Lawrence da Arábia e A Filha de Ryan, de David Lean, serão projetadas para o deleite da cinefilia, chance rara de rever os filmes no formato no qual foram feitos.

O repórter viajou a convite do Consulado da Alemanha no Recife


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KLEBER MENDONÇA FILHO
cinemascopio@gmail.com

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