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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Dinamarqueses exploram o vasto mundo cão


Curiosamente, o drama dinamarquês ligeiramente mundo cão Lille Soldat (Pequeno Soldado), da diretora Annette K. Olesen, mantém esse verniz de realismo constante, sem a surpresa do filme anterior. Também em competição, sai perdendo quando visto no contexto de um festival, especialmente após Ricky, onde filmes são vistos como parte de um conjunto. Embora seja cedo ainda, nível geral parece melhor na Berlinale do que nos últimos dois anos.

A personagem principal, Lotte (Trine Dyrholm), mulher dinamarquesa de 30 e poucos anos, acaba de voltar do Iraque, onde trabalhou nas forças de paz. Não é surpreendente que ela seja uma concha vazia, em profunda depressão de algo que certamente não foi leve, o tipo de tom duro que esperamos já preparados de dramas escandinavos.

Mesmo assim, o filme vai revelando o seu interesse. A relação com o pai equilibra certa ternura com o caráter difícil de ambos, ela uma mulher fisicamente forte e algo de masculinizada na sua dor, ele um empresário do transporte de cargas que desdobra suas funções alugando garotas nigerianas para clientes da área, um deles adepto de necrofilia.

A terceira personagem é Lily, a principal garota africana do esquema, que prostitui-se para garantir futuro melhor para a filha, em Lagos. Como motorista e segurança de Lily, Lotte desenvolve relação dúbia com com o pai e com Lily, numa série de ambigüidades interessantes que tentam sobreviver ao tom pesado do todo. É o cinema europeu exaurindo um dos seus temas principais, as diferenças entre gerações, entre ricos e pobres, entre os muitos 'eus' que existem dentro de você mesmo.

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KLEBER MENDONÇA FILHO
cinemascopio@gmail.com

1 Comentários:

  • Às 11 de fevereiro de 2009 às 01:58 , Blogger Dona Milú disse...

    Klerber, parabéns pelo blog e por suas críticas. Apenas acho encorajador saber um pouco mais sobre os escandinavos e sua crítica por Lille Soldat. As mulheres quase sempre são "masculinizadas em sua dor", pois faz parte da cultura não mostrar lágrimas, chatangens femininas as mais diversas e coisas "de mulher" que são clichês da cultura ocidental. Vale a pena, você, que está já na Berlinale, fazer uma visita e conhecê-las in loco. E, claro, aos outros diretores contemporâneos que são traumáticos às nossas mentes acostumadas a um "filme".

     

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