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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Uma produção chinesa correta


KLEBER MENDONÇA FILHO
cinemascopio@gmail.com
http://www.flickr.com/photos/cinemascopio


CHINA – Na Berlim gélida desses dias (quatro negativos diurante o dia, mais neve), o filme de abertura hoje foi uma produção chinesa correta chamada Tuan Yuan (Juntos à Parte), do diretor Wang Quan’an, ganhador do Urso de Ouro 2007 em Berlim por O Casamento de Tuya, só exibido no Brasil em festivais. Fala sobre um casal que, depois de 50 anos separados, voltam a estar juntos, a família da mulher, e especialmente seu marido, tentando entender que ela talvez precise retomar a antiga relação depois de décadas num casamento sem paixão.

A história da China e seu conflito histórico com Taiwan é a base da história, uma vez que milhares de famílias foram separadas no final dos anos 40. Quan’an toca nos temas recorrentes do cinema moderno chinês, o crescimento físico do pais, visível nas construções constantes, na destruição da arquitetura (e de um estilo de vida) do passado. De alguma forma, mostra que o mundo novo tem suas próprias formas de continuar separando as pessoas, já que a nova geração continua lidando com os mesmos temas.

Numa cena, o casal que se reúne visita um antigo quarto, num velho hotel, que significa muito para ambos, e o filme sugere uma continuação imaginária de Amor à Flor da Pele (In The Mood For Love, 2000), de Wong Kar Wai. Escolha discreta para abrir os 60 anos de um festival com a importância de Berlim, mas, de qualquer forma, um filme delicadamente caloroso para receber o público em dias tão frios.

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